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Quarta sessão da ANUMA: crise e entrevista com delegada do Reino Unido

  • ufrgsmundi
  • 10 de out. de 2021
  • 3 min de leitura

Por Amanda Rost e Luísa Lampert

Jornal Nexo


A quarta sessão deu seguimento aos debates anteriores, e o assunto central foi, mais uma vez, a proposta do presidente Biden. A delegação da República Democrática do Congo recusou a proposta e mostrou que não ficou nada feliz com ela, pois, segundo o delegado, as florestas de seu país não devem ficar nas mãos de um país imperialista que visa apenas o lucro. A delegação do Reino Unido voltou a tocar no assunto da proposta e, dessa vez, a delegada apoiou a proposta de compra das florestas da RDC e declarou que também gostaria de participar da compra. O representante da República Democrática do Congo reafirmou que está aberto a acordos de financiamento, mas não aceitará medidas que infrinjam sua soberania.

Ao longo do debate, os delegados concordaram em estabelecer metas no acordo financeiro. Durante uma crise na Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a delegada do Reino Unido declarou que uma notícia publicada utilizou suas palavras equivocadamente - a notícia está disponível no Twitter do UFRGSMUNDI - e que sua real intenção é a preservação das florestas, pois elas afetam o clima do mundo inteiro. Complementou dizendo que seu país não quer tomar medidas drásticas, apenas visa a preservação e que, se para isso for necessária a compra das florestas, será feita, já que seu país é desenvolvido e pode ajudar os países em desenvolvimento. “Essa é nossa intenção. Uma intenção boa e pura”, afirmou.

Uma notícia chegou no meio do debate sobre os acordos: Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, anunciou a adesão de seu país ao projeto estadunidense de compra de áreas de florestas tropicais da RDC. Além disso, em conjunto com o governo da Holanda, declarou que pretende incluir as florestas da Malásia na negociação.

Durante o debate, a Delegada do Reino Unido sugeriu que fosse adicionado um item 1.6 no acordo, definindo que os países detentores das florestas tropicais poderiam ceder ou vender parte de seus territórios, pois os países desenvolvidos precisam ter benefícios econômicos. “Não podemos nos dar o luxo de ajudar sem receber um retorno”, disse ela. A delegação da RDC fala que por ser um financiamento, eles irão pagar as parcelas devidamente, e continuam com o mesmo posicionamento, não pretendem vender suas terras. Em resposta, a delegada dos EUA afirmou que o país irá se endividar. A partir dessa fala, a delegada do Reino Unido sugeriu uma multa, pois os países contribuintes precisam de uma garantia: “Caso as parcelas não sejam pagas dentro de 10 anos, a multa deverá ser paga com parte das terras”.

No final da sessão foi aceita a moção para o adiamento da sessão. No intervalo, fizemos uma entrevista com a delegada do Reino Unido.


Entrevista


Jornalista: “Por que a mudança tão rápida de posicionamento quanto a aquisição de parte das florestas tropicais? Em um momento a senhora disse que não gostaria de tomar medidas drásticas, mas logo depois sugeriu como multa que os países dessem parte dos territórios.”


Delegada: “Essa mudança ocorreu pois recebi uma correspondência direta do primeiro-ministro de meu país onde foi esclarecido que a questão ambiental é primordial, mas que nossos interesses econômicos não devem ser ignorados.”


Jornalista: “Então os interesses econômicos de vocês estão diretamente ligados com extração de recursos das florestas tropicais? Como isso entra de acordo com sua fala sobre as questões ambientais serem primordiais?”


Delegada: “Não estão, apenas acreditamos que uma forma de ter um maior benefício econômico no programa é tendo para fiscalização e administração partes desses territórios, não temos nenhum interesse imperialista ou exploratório.”


Jornalista: “Mas qual seria o benefício econômico já que o território não vai ser explorado?”


Delegada: “Explorando de maneira sustentável.”


Jornalista: “Então você está afirmando que vai ter exploração? Isso não seria uma contradição ao que foi dito antes?”


Delegada: “Não estou afirmando nada, mas só procurando garantias para o meu país”.


Em alguns minutos voltamos com as notícias da nossa última sessão, para saber mais do que aconteceu na quarta sessão acesse o Twitter do URFGSMUNDI.


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