A sessão final do Conselho de Direitos Humanos estoura o tempo limite
- ufrgsmundi
- 10 de out. de 2021
- 2 min de leitura
Delegações discutem o tema do aborto em mais detalhes e estouram o tempo da sessão
Por Luís Gustavo Lauermann Hartmann
BBC
Nas últimas duas sessões do CDH, a participação dos delegados foi mais intensa e todos buscaram uma forma de agradar aos interesses tanto dos países mais conservadores (Filipinas, Rússia, Brasil e Paquistão), como dos mais progressistas (Cuba, Países Baixos, Uruguai, entre outros). Entretanto, ao escreverem a resolução, na última sessão, ficaram sem tempo devido a dificuldade em encontrar um meio-termo entre os interesses.
Ao notarem que o tema do aborto estava sendo retratado por muito tempo, no início quarta sessão, decidiram mudar o tópico para o tema da “Defesa a Liberdade de Orientação Sexual”.
Um embate entre mundos opostos
Ao ouvirem o posicionamento dos Países Baixos em defesa de medidas para a defesa das minorias LGBTQ+ no âmbito do trabalho, o “Eixo Rússia-Filipinas-Brasil” respondeu que não deveria haver nenhum tratamento diferenciado para a comunidade LGBTQ+, até porque “isso vai contra as tradições familiares russas”, disse o representante russo.
Os Países Baixos, juntamente a Cuba, relembraram que a proteção legal dos grupos LGBTQ+ não seria somente uma questão cultural. “A liberdade de expressão é abrangida por esse direito fundamental”, disse a delegação de Cuba, referindo-se à Declaração dos Direitos Humanos, no trecho citando o Direito à Liberdade de Expressão.
Ao perceber que a concessão de proteção legal à comunidade LGBTQ+ não seria aceita, o grupo decidiu tratar da educação sobre orientação sexual. E esse foi outro tema polarizado. Ao perceber que nem a Rússia, nem as Filipinas aceitariam a proposta da educação sobre identidade de gênero, o Brasil sugeriu uma abordagem diferente: ensinar o respeito a todos por meio de uma matéria de ética obrigatória.
A resolução do CDH
Algumas delegações sentiram necessidade de retornar ao tópico do aborto, visto que algumas ideias haviam ficado muito vagas, de acordo com a delegação russa. Após a definição de muitas variáveis, uma resolução foi criada.
Foi feito um pequeno resumo sobre o principal tema tratado pela resolução: a legalização do aborto.
Será criado um fundo monetário internacional, sobre o qual o BM terá poder administrativo, para o auxílio de grávidas em situação socioeconômica menos favorecida. Entretanto, a legalização do aborto fica da escolha de cada país.
Os 10 países de maior poder econômico serão incentivados a se tornarem contribuintes, mas outros países também podem colaborar com o fundo. Para incentivar a colaboração, as taxas de exportação entre os países beneficiários e os beneficiados serão reduzidas. Elas serão calculadas proporcionalmente à contribuição dos beneficiários.
Caso os países não desejem contribuir financeiramente, poderão ajudar por meio de campanhas, “doação de produtos destinados à educação sexual ou planejamento familiar”.
O relatório será atualizado anualmente e haverá encontros a cada três anos para a criação de novas medidas ou reavaliação das campanhas realizadas.
Em 2023 ocorrerá a votação.
“É proposto que essas medidas sejam implementadas até o ano de 2046, quando a ação será analisada e reanalisada pelo CDH, com o cálculo do quanto a ação beneficia em saúde pública e no IDH de cada nação.”
Até o ano de 2023 devem ser definidos os países contribuintes e suas contribuições.
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